sexta-feira, 16 de julho de 2010

Mulheres: casos e descasos

Jornal Ibiá, 15 de julho de 2010.


Casos como o do goleiro Bruno não são novidade. Pensar, porém, que o mal se resume à infância pobre do jogador, combinada com sua repentina fortuna e falta de preparo para lidar com isto, é pouco. Basta ver o episódio catarinense: dois garotos, muito bem de vida, estupraram uma menina de apenas 13 anos. E se vangloriaram na internet, prometendo mais. Esses tinham os melhores colégios. O que prova que monstro não nasce, nem vive, só em periferia. Claro que, lá, o monstruoso descaso dos gestores públicos – ausentes, simplesmente repressores, ou distribuindo esmolas - só joga adubo para nascer planta ruim. Mas, o que dizer de quem nasce em berço esplêndido?


A resposta é complexa, mas simples de resumir. Falta exemplo. Cultura de humanidade e respeito dentro de casa. Da verdade como princípio básico, onde a promiscuidade moral é tida como aceitável. As jogadas rasteiras são meios naturais de se conseguir algo. Aí, também, nada de bom se cria.

Avaliemos a proteção à mulher, foco dos dois casos. A Lei Maria da Penha se tornou mero texto sem aplicação efetiva. As redes de proteção não funcionam, ou não existem. E quem deveria fazer funcionar, não quer nem saber. Não é problema dele. Emenda com deputado seguida de churrascada e asfalto superfaturado, dá mais voto. Proteção à mulher? Criança? Idoso? Não é importante. A polícia que vá lá, varrer a sujeira para um canto. Pensando nisto, consegui aprovar, na ata do Congresso Internacional Crack e Outras Drogas, uma proposta: tornar inelegível todo administrador público que não efetivar as redes de proteção. Passou por unanimidade. Talvez, assim, certos sujeitos omissos se mexam. Medo de perder a mamata, todos eles têm. Aproveitando: hoje, em Montenegro, no cinema, o 81º Encontro de Conselheiros Tutelares dos Vales do Caí, Sinos e Paranhana trata justamente das Redes de Proteção. Vamos ver quem assistirá.

Ah. Quem viu o vídeo onde os meninos estupradores ouvem certa música, lembrará o que eu disse ao condenar autores de letras que defendam drogas, violência ou o abuso de “ninfetinhas” regado a álcool. Dá nisso. Não é diversão, é incentivo à violência e à drogadição. É dinamitar mentes ainda sem preparo para filtrar informações. Mesmo assim, pasmem, há mulher que defenda esse tipo de gente. Defenda quem trate mulher como lixo. Dureza. Será que ela vai pedir autógrafos ao Bruno, agora?

1 comentários:

Josy disse...

Como seria importante se cada órgão fizesse sua parte, se comunicando com outro que também prioza a proteção.
Parabéns amor, por mais esta coluna.
TE AMO