Jornal Ibiá, 26/08/2010.
No dia em que se lembra a morte do Getúlio – alguém disse comemora, mas é possível comemorar a morte alguém, ainda mais do Getúlio? – meu filho fez aniversário. Oito anos. Ele, que também é Gê - quase se chamou Getúlio, mas ficou Gerônimo José. Homenagens pessoais. Somos virgens. Eu, ele, minha mãe e meu sogro. É bom ser virgem. Pelo menos no signo.
A festinha foi num desses locais em que a gente só chega com o corpo. Lá tem tudo. Brinquedos, esportes para a criançada, comes e bebes. Maravilha, a modernidade! A gente não se preocupa com nada. E as crianças, finalidade máxima do evento, quase explodem de tanto brincar. No meu tempo, festa de criança nem tinha criança, quase. Os adultos é que se refestelavam num churrasco, tomavam uma cerveja e nos davam um par de meias. Estes locais de hoje não são apenas práticos, mas politicamente corretos. Pai bebendo em festa infantil não é um bom exemplo. Ainda mais hoje, com a coisa como está. Nada contra o churrasco, claro.
Nos meus aniversários de guri, sempre queria um livro, quase nunca ganhava. Achavam graça. Livro? Que nada. Traziam meias. Hoje, tudo é mais fácil. Tem brinquedo de 1,99. Livro é que continua raro. Ainda não se dá livro de presente. Talvez isto mude, um dia. As crianças, pelo menos, aproveitam o instante. E como. Não sei de onde sai tanta energia. A sala de aula se transfere para a festa. Viram o lugar de cabeça para baixo. Uma algazarra só. Incrível. Saudável e bonito de ver.
Falando nisto, no início de setembro chego aos 40. Finalmente. Alguns amigos insinuaram que eu estava adiando este aniversário há algum tempo. Medo do exame de próstata. Quanta maldade! E, como sou um sujeito do contra e preciso manter minha fama, farei uma festa diferente. Ainda mais agora, com meu partido bombando. O PUM. O PUM está arrebentando por aí. Gente famosa está virada em PUM, agora, e nada mais. Pelo PUM, não farei churrasco no meu aniversário. Vou oferecer é um livro novo aos leitores. Em vez de me dar um presente, comprem meu livro. Sou assim. Aposto no livro. E no PUM. Sem exame de próstata, de preferência.

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