Correio do Povo, 29/08/2010
A chacina ocorrida no México deixa, além do espanto pela barbárie, uma reflexão. Eis o mundo do tráfico. Das drogas. Há quem queira liberar tudo, quem defenda a loucura até em músicas, mas a verdade é simples. Isso mata. De uma forma ou de outra. E precisa ser combatido com força. Não é só força bruta, mas força de vontade. Ou vontades. Principalmente públicas.
As ditaduras, no mundo, sempre tiveram motivações econômicas e exploratórias. Para se manter no poder, assassinavam. Manipulavam. Corrompiam. O tráfico age assim, igualzinho. Dá muito dinheiro vender drogas. Cada vez mais gente usa. É um belo percentual da movimentação econômica do mundo. então, é preciso enfrentar também a praga do lucro. Difícil. Mas há quem ainda tope o desafio. Cingapura oferece pena capital aos traficantes e vai se livrando do problema. O arrocho inclui os aeroportos, onde entram os estrangeiros. Lá se avisa de cara, ó, droga aqui, não. Vai pra berlinda. A população consegue até caminhar tranquilamente pelas ruas à noite, o que para nós saudade e nada mais.
Há poucos dias, a Polícia Civil gaúcha prendeu uma série de pequenos e médios traficantes por todo o estado. A importância maior idsto foi livrar diversas comunidades da pressão que eles exercem. Do circuito de pavor, furtos e violência que eles fomentam. Montenegro foi pioneira no país, em 2008, a se organizar na luta contra o crack – exemplo tão bom que foi copiado, até por quem nem lembra que copiou – e a comunidade se uniu com as polícias e poderes públicos. Resultado? Prisões e apreensões recordes. Denúncias chovendo, clima de tolerância zero tomando conta dos cidadãos. O povo quer isto. Liberdade. Quer distância de drogas e traficantes. E isto exige força. Porque a cada traficante preso pela Polícia Civil ou pela Brigada Militar, alguém deixa de ter lucro. Cada usuário recuperado é fonte de renda a menos.
Minha mulher é conselheira tutelar em Montenegro e visitou, esta semana, a Apromim, em Taquara. Foi ver os pequenos que encaminhou para lá. É um abrigo para crianças. Mas impressiona. Recomendo que visitem o site: WWW.apromin.com.br. Exemplo de resgate, de cidadania, valorização do ser humano que extrapola o que se limita a fazer a maioria dos abrigos por aí. Assim também se combate o tráfico. Resgatando bons valores, estimulando crianças para o lado do bem, fomentando o que pode ser belo mesmo na dificuldade. E lutando para recuperar famílias. Do contrário, fica-se a mercê. E a tirania dos cartéis de drogas continuará determinando nossos costumes e limites. Fuzilando em troca de espaço. E ganhando muito dinheiro com a nossa desgraça.

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