Jornal Ibiá, 12 de agosto de 2010.
Leitores bradam contra a minha ingenuidade. Só falo de rolhas e frio, quando podia falar da prefeitura, vereadores triunfenses, Silas e Obama. Coisa séria. Querem polêmica. Exigem. Mas, como na última em que me meti numa acabei me quebrando, desisto. Ainda mais agora. Não se pode mais fazer crítica a políticos, políticas ou politicagens. A censura pega. Nem piada é permitida. Dá multa, e grande. Viva a volta da dita cuja. Caetano até pensou em gravar uma nova versão de “É Proibido Proibir”, só que agora ele é light. Como eu. É a idade. Por outro lado, gosto do manifesto dos leitores. Da crítica. Aliás, desconfio de quem só me elogia. Quer alguma coisa, no mínimo. Dicas dos locais de blitz da Brigada, a receita de como ser um baixinho simpático ou desconto nos meus livros – que, com a crise, estão sendo vendidos a 1,99, e sem direito a balinha de troco. Fãs, mesmo, só as moças da AAM. Associação das Amigas de Mamãe. Entre chás e bingos, elas lêem minha coluna. Só elas me amam de verdade. Que até Padre Carlos reclamou. Disse que vai fazer uma inspeção nos chás que ando tomando para emagrecer, ainda mais depois que contei meu sonho dos pinguins com baunilha. E me olhou desconfiado. Ou assustado. Ou apiedado, ainda estou tentando decifrar. Tudo bem, sou fã do Padre Carlos. Da sua oratória. Das suas mensagens atualizadas. E sei que ele tenta, de coração, ser meu fã também. Mas é que Deus está de olho. E acho que o protege.
Mas um leitor radical - de centro - mandou um e-mail interessante. Disse que não suporta mais buracos, praças, obras, o sentido das ruas, a brevidade do destino e essa insuportável incógnita se há vida ou não em outros planetas. Juntou meia dúzia de considerados e fundou um novo partido. Para moralizar, endireitar (ou esquerdear, depende da aliança), perfumar e embelezar a cidade. É o Partido da Urbanização Maniqueísta. PUM. Para eles, só há dois extremos: o belo esplendoroso e o horrível abominável. O deles contra o dos outros. O que importa é ficar no PUM. O resto é caca. Para não dar porcaria, PUM. Para mostrar como se faz esse negócio de obras e licitações sem dar m. no final, fique no PUM. Quer ver como se faz? PUM. Saúde, educação, segurança? PUM, PUM, PUM. E assim vai. Bacana. Com ou sem PUM, o que importa é a democracia. Já que, no final, nós que somos apenas povo espectador, ficamos em meio ao mesmo mar de lama. E isso, perdoe-me o caro leitor e seus sonhos românticos, é algo que vai muito além. Muito além do PUM.

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