domingo, 16 de janeiro de 2011

Jogando a Toalha

Jornal Ibiá, quinta-feira, 13/01/2011.

Tantos assuntos engatilhados e me chega esta bomba. Eu estava a fim de conversar com os leitores sobre amenidades. Até sobre o Gaúcho que preferiu ser carioca – se bem que de todos estes que usam nosso nome, sempre preferi o Gaúcho da Fronteira. Até que o Sr. Pedro Abramovay, dito secretário nacional de políticas antidrogas, aparece defendendo liberdade aos pequenos traficantes. Alegando que as coisas hoje no Brasil não estão dando certo e citando o exemplo de Portugal. Ah, tá.

Certamente, o ilustre douto não conhece as comunidades que sofrem com o tráfico. Talvez só ouça falar das favelas do Rio. Pela tv. O circuito de furtos, roubos, agressões e o assédio que desestabiliza famílias e escolas, tentando cooptar crianças e adolescentes para o vício, deixando pais e professores sitiados. Sem fuzis, mas na pressão que tira toda a paz de quem vive este drama. O poder de persuasão facilitado pela ausência pública e de valores verdadeiros. Não conhece o trabalho, também, de iniciativas que remam contra a maré, como o Proerd. Nunca pisou na lama para saber o tom do seu mau cheiro.

Sim, o ideal, numa sociedade livre, é deixar tudo liberado. E que cada um arque com as consequências das suas escolhas. Mas, aí, deve haver um forte trabalho de educação de base, de fortalecimento do ensino – da escola e do professor! - e da boa cultura. E que ninguém, que já vive atolado em impostos, se visse obrigado a sustentar desvios de conduta. Que se corrija o sistema penitenciário, a estrutura de segurança e, feito Portugal, se una saúde à justiça. É que, aí, gerente de verba pública vai preso. Problema. É preferível deixar a guerra como está: povo contra povo.

Sim, usuário de drogas é mais problema de saúde do que de polícia. Mas como anda nossa saúde pública? Como anda o operário, o aposentado, que precisa atendimento? As políticas sociais trabalham, historicamente, valores e família, ou só pregam e distribuem esmolas? Neste cenário, qualquer estímulo a mais impunidade significa incentivar o caos. Acuar o cidadão e deixá-lo preso, refém do sistema. No Caí, terminamos 2010 com 31 prisões por tráfico contra a média anterior de 5 por ano. Pequenos? Bancados por tubarões e terríveis a seus vizinhos. Comunidades aliviadas pedem mais. Imagine se nem isto puder ser feito. É de jogar a toalha.

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